EU AMO DISTANTE
Sem muita certeza de que preciso estar perto,
vou somando quilometragens de afeto.
Desperto e sinto que sou responsável
. [pela máquina de fazer amores que me torna
engrenagem de meus quereres.
Em permanente estado de paixão, me amo,
. [amo muita gente de muitas formas, e
as formas de amar me ensinam que sou intensa,
mas…
amo distante, porque não sei bem
. [como se contam as cercanias,
mas amo,
porque sou tomada por um imenso sentir bonito
. [que me faz marejados os olhos
de amor
e me dá alguma certeza
de que ainda estou viva.

ESTRANGEIRA
Do que faço, sei,
me acho, me entendo.
Mas quantas de mim
há no que não escrevo?

Vânia Melo é filha de Dandalunda, mulher preta, baiana, escritora, professora e formadora. Doutora em Letras pelo Programa de pós-graduação em Literatura e Cultura/UFBA. Integrante do grupo de pesquisa Yorubantu/UFBA, estuda como os discursos da escrita preta, a partir da Ancestralidade Africana, instituem-se enquanto primordiais para o estudo de epistemologias próprias para leitura e elaboração de Literaturas. Em 2018, lança seu primeiro livro solo pela editora baiana Organismo: Sobre o breve voo da borboleta e suas esquinas. Em 2021, lança, pela editora Segundo Selo, Aroeira, seu segundo livro de poesia.

